Felicidade Inacacabada Excerto 1



Comecei a escrever este "Pseudo-Livro", numa madrugada. Foi algo inesperado , porque à medida que avançava , tornou-se uma escrita compulsiva. E as personagens começaram a surgir na minha cabeça, como a história em si. Factos fictícios ou não!.. Partilho aqui alguns excertos :

INTRODUÇÃO

Na infância pensamos que temos todo o tempo do mundo! Que a vida é eterna, que todos os que nos rodeiam e amamos, permanecem para sempre junto de nós.
Hoje penso nisso e vejo o quanto era ingénua. A mesma está traçada com um rumo definido, um caminho que nós à partida escolhemos e é nesse trajecto que muitas vezes, damos um passo em falso.
A vida simplesmente transforma-se de um momento para o outro, modifica-se a um ritmo alucinante e, os que nos acompanharam durante anos, dias, segundos, nos momentos maus e bons, tristes e confusos deixam-nos abruptamente, sem tempo para se despedir ou talvez pensemos assim.
Chego à triste conclusão: todos esses anos que as pessoas passam connosco e partem sem uma explicação, não são mais do que uma despedida silenciosa, como se nos quisessem castigar pelos erros cometidos! Naturalmente, se soubéssemos que um ente querido ia morrer, certamente que agiríamos de outra forma, não cometeríamos tantos disparates, mas também não éramos genuínos; pensaríamos duas vezes antes de dar uma resposta e muitas decisões da nossa vida seriam completamente diferentes. Vivemos na ignorância e é melhor assim, poupamos lágrimas antecipadas! Já pensei tantas vezes neste assunto, mas nunca encontro uma resposta concreta e talvez não viva anos suficientes para a encontrar…



(...)Afastou-se ligeiramente. Nada pronunciou, apenas compreendeu e respondeu-me com um sim acenando com a cabeça, mas não largou a minha mão.
Tal como eu, também estava nervoso, mas à sua maneira, muito mais descontraído. Não se mostrou desiludido. Essa sua atitude demonstrou os mais nobres sentimentos e eu admirava-o por isso. A sua calma dava-me tanta confiança. Nós entendíamo-nos mesmo em silêncio, e ficamos assim por um instante. Passou a sua mão pela minha testa e eu retribuí com um ligeiro sorriso. Consegui ver nos seus olhos aquilo que eu tinha desejado, até então. Bastou essa fracção de segundos para perceber, que o Chico era tudo para mim.
Eu não sabia as razões pelas quais me fizeram apaixonar por aquele rapaz que se encontrava a meu lado, mas houve uma força que nos uniu; o motivo, ainda teria que descobrir, mas às vezes temos que nos libertar dos medos e seguir as nossas convicções. Pensava eu que tinha uma vida à minha frente, um mundo para descobrir e um amor para partilhar. Para quê, as pressas?
Olhei para cima e observei o céu estrelado que se vislumbrava através da pequena janela verde do sótão. Fascinavam-me aquelas estrelas, porque mesmo no escuro tinham forças para brilhar e, apesar de silenciosas, toda a gente reparava nelas!
(Este meu pensamento foi interrompido)
-Sabes Line, um dia hei-de ser uma daquelas estrelas.(...)

(...)Sentia várias sensações ao mesmo tempo, o que me deixava pouco confortável. A mentira que preguei aos meus pais, a viagem que fiz sem ninguém saber, nem mesmo o meu amigo Artur, a reacção do Chico, enfim!
Quase recuei, mas não fui capaz. Todos os outros motivos não se sobrepuseram ao mais importante: revê-lo.
A sala estava escura, em breve os actores estariam em palco, a primeira cena começou com fadas a cantar e a dançar. Quando ele entrou fiquei petrificada, tinha os maxilares tensos, o coração aos pulos, e os músculos presos. Senti uma dor enorme no peito como se alguém me tivesse remexido na ferida que ficou após a sua partida; vê-lo, perfurou-a ainda mais.
Esqueci por momentos o meu estado e deixei-me levar pela sua representação. Nunca o tinha visto em cena e estava completamente rendida por tudo e pelo seu talento Arrependi-me profundamente não ter assistido à estreia da sua primeira peça.
Ali era grotesco, os músculos sobressaiam lhe pela camisa, de contornos suaves, e vieram-me à memória momentos passados.
Bateu com os seus olhos nos meus. Tive a agradável sensação de ter sentido o seu calor, mas senti-me frágil e ridicula, quase que apanhada em flagrante.
O teatro terminou e estava expectante!
Ouviam se assobios e aplausos, ficamos a meia – luz e tentei esconder-me para ele não me ver entre a multidão.
O que é que eu estava a fazer? (...)

(...)Enquanto o Chico puxava a âncora, amavelmente, pediu-me que tomasse o leme. Estava desejosa para que o profundo azul do mar me envolvesse, e acalmasse. Sentia-me a flutuar como numa dança compassada, embalada pelas ondas. Recostou-se junto de mim e o seu par de mãos fortes ficaram coladas nas minhas. Mudamos de sentidos, em direcção ao alto-mar, e avistamos o cais a afastar- se, cada vez mais.
Os nossos corpos ficaram colados e senti a sua respiração como se fosse minha.
As ondas estavam calmas e a espuma alvíssima, uma névoa baixa cobria a linha do horizonte, o tempo meteorológico era favorável.
Fechei os olhos por breves instantes, para sentir o sopro do vento a tocar-me na face, ao mesmo tempo que o seu cheiro se cravava, na minha pele.
-Então Line, é libertador não é? - Atalhou
-Sim, há muito tempo que não me sentia assim.
- Quando preciso estar sozinho, é para aqui que eu venho. A natureza inspira-nos sabes?
Largou suavemente o leme.
Eu segui-lhe o gesto, e reparei no seu ar cândido, parecia que ele fazia parte do mar e o mar parte dele. Os seus olhos eram profundos e azuis, como o oceano
Houve alguém que um dia lhe disse que os nossos tons de pele combinavam. Achei piada à observação. Os meus pensamentos foram interrompidos com a chegada ao destino, proposto por ele.
Ancoramos. Com tantas voltas que demos só me apercebi que agora, estávamos mais perto de terra do que eu achava…
-Line, enquanto vou preparar o jantar, podes sentar-te na proa, vais ver que te sentes embalada pelo mar!
Descalcei-me, e chapinhei os meus pés na água, como uma criança.
Gostaria que aquele momento ficasse estagnado, como um quadro de um pintor, com cores vivas e contornos suaves ou como uma poesia, escrita com breves palavras, como se fosse impossível descrevê-lo ao vivo e ao olhar!(...)

Ana Brinca

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1 comentário:

iol disse...

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